Em entrevista à revista Engeobras, Patrícia Figueira, Diretora de Sustentabilidade da Infraestruturas de Portugal, destaca a importância da integração dos princípios ESG, no setor rodoviário.
A Infraestruturas de Portugal (IP) está a acelerar a transição “para uma mobilidade mais sustentável, com foco na descarbonização, digitalização e resiliência das infraestruturas”. A garantia é dada por Patrícia Figueira, diretora de Sustentabilidade e Inovação da empresa, que sublinha que a sustentabilidade “não é apenas uma estratégia, é uma ação concreta”.
A responsável destaca os princípios ESG, Ambiente, Social e Governança, que abrangem toda a atividade da empresa, incluindo o setor rodoviário. Entre as prioridades estão a transição energética, a mitigação das alterações climáticas, a economia circular, a segurança dos utilizadores e uma governança assente na transparência e inovação.
Segundo Patrícia Figueira, “a IP tem implementado medidas para reduzir o impacto ambiental das obras, como a exigência de sistemas de gestão ambiental aos empreiteiros, avaliações de impacto ambiental rigorosas e planos de redução de resíduos”. Em 2024, as empreitadas rodoviárias incluíram 15,4% de materiais reciclados ou com incorporação de reciclados, valor que a empresa pretende aumentar de forma significativa.
“A reutilização de materiais nas ações de conservação, a preferência por soluções de baixa intensidade carbónica e a monitorização das emissões associadas aos materiais” são outras práticas já consolidadas, explica. A digitalização surge como aliada, com a adoção crescente da metodologia BIM e ferramentas de gestão inteligente que permitem decisões mais eficientes e sustentáveis ao longo do ciclo de vida das infraestruturas.
Face ao aumento de fenómenos extremos, a IP está também a reforçar a resiliência da rede com o desenvolvimento do PRIAC – Plano de Resiliência das Infraestruturas às Alterações Climáticas –, que avalia riscos climáticos, atuais e futuros, e define medidas de adaptação em diferentes fases dos projetos.
Parcerias e a neutralidade carbónica
A colaboração com universidades, centros de investigação e setor privado é apontada como essencial. A diretora assinala “o caso da obra de melhoria das acessibilidades à zona industrial de Riachos (ER243)”, onde “uma solução inovadora de reciclagem a frio de pavimentos flexíveis com betume-espuma, utilizando uma central móvel, permitiu reutilizar todo o material reciclado obtido na obra, reduzindo emissões, resíduos e recursos”.
Sobre o futuro, Patrícia Figueira afirma que a construção rodoviária neutra em carbono é um objetivo “ambicioso, mas inevitável”. Atingi-lo exigirá materiais mais sustentáveis, processos construtivos descarbonizados, maior eficiência energética, captura de carbono. O desafio técnico é enorme: requer inovação, novas normas e critérios de contratação pública que integrem limiares máximos de emissões e valorizem materiais circulares e de baixo carbono. O grande desafio é olhar para todo o ciclo de vida. “A fase de operação representa cerca de 80% das emissões totais associadas a uma estrada, o que eleva o desafio para além da infraestrutura física, exigindo uma transição energética e tecnológica no modo como nos movemos”, conclui.
Leia a entrevista completa no site da Engeobras.